Em 25 anos, países como China e Jordânia deixam Brasil para trás

07/02/07

 


A taxa de analfabetismo adulto no Brasil é um dos piores indicadores sociais quando comparada com as de outros países em desenvolvimento. Além de ter índices maiores do que quase todos os vizinhos na América do Sul, o Brasil ficou para trás nos últimos 25 anos em relação a alguns países asiáticos, segundo dados da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

O levantamento mostra que, em 1980, o país tinha uma taxa de analfabetismo adulto de 26%, um patamar inferior ao da China (34%), Indonésia (33%), Jordânia (31%) e Malásia (30%) no mesmo ano. Vinte e cinco anos depois, no entanto, China (9% de analfabetos adultos), Indonésia (10%), Jordânia (10%) e Malásia (11%) foram mais eficientes e reduziram suas taxas num ritmo maior do que o Brasil, que apresentava uma taxa de 11% em 2005.

O Nordeste é a região com o maior percentual de analfabetos entre 15 e 60 anos -17,3%. Segundo Fernando Haddad, o programa anunciado no mês passado deverá aumentar a efetividade da alfabetização. "Haverá também um efeito positivo na rede pública com a capacitação dos professores."

Para isso, o governo usará os R$ 100 milhões a mais previstos no Orçamento do programa neste ano. A meta está mantida: atender a 2 milhões de pessoas.

Segundo Haddad, serão criados dois selos. Um para cidades que conseguirem em 2010 chegarem a uma taxa de analfabetismo menor que 3% e outro para as que reduzirem em 50% em relação a 2001.

Para Jorge Werthein, assessor especial do secretário-geral da Organização dos Estados Ibero-Americanos e ex-representante da Unesco no Brasil, faltou ao Brasil decisão política. "Não se pode ter uma democracia plena com um número tão elevado de analfabetos. Muitos países avançaram, mesmo na América Latina, porque foi um trabalho de décadas e houve uma decisão política de eliminar o analfabetismo."

Werthein afirma, no entanto, que a culpa pelo fracasso brasileiro dos últimos 25 anos não deve ser atribuída exclusivamente ao governo federal.

"É muito difícil chegar à população carente e mais excluída se governadores e prefeitos não assumirem também como responsabilidade a eliminação do analfabetismo."

da Folha de S.Paulo, no Rio

  

  

 

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