Nelson Hoffmann

Histórias de Acordar Lembranças
Esta é uma Realidade Indigesta
Mais que um romance
Mestre + amigo = parente?

Histórias de Acordar Lembranças

Foi assim, de cara, à primeira vista: um toque de nostalgia. Vi e estava dentro. Nas lembranças de mim mesmo. Dos encontros nos desencontros. Tangências nas distâncias. O ontem no hoje. Há quarenta anos.
Quando me ia da Faculdade de Direito da UFRGS, de Porto Alegre, o Emanuel Medeiros Vieira chegava. Recolhi-me ao silêncio da vida interiorana e ele mergulhou no burburinho da metrópole paulistana. Arranchei-me nas barrancas do rio Ijuí e ele fixou morada na Capital da República.
Em 1978, batemos de frente na Feira do Livro de Porto Alegre, sentamos lado a lado e autografamos. Mal nos falamos e seguimos caminhos. Correspondemo-nos.

Chegou-me, há pouco, o seu último livro, “Os Hippies Envelhecidos”. Contos, como deve ser. Emanuel Medeiros Vieira é poeta, ensaísta, novelista, sim, mas é no conto que ele se escala na seleção da Literatura Contemporânea do Brasil. O livro mereceu o “Prêmio Othon Gama D’Eça – 2002”, conferido pela Academia Catarinense de Letras, como o melhor livro publicado por autor catarinense em 2002.

São apenas dez os contos que compõem o livro. É uma pequena antologia e alguns ainda são destaque: “O cabalista tardio”, “Obsessivos-compulsivos”, o próprio conto-título “Os hippies envelhecidos”. Em todos comparece aquele que é o traço mais tocante de toda a escrita de Emanuel Medeiros Vieira: a sua profunda humanidade. Poucos autores são, hoje, tão humanos, tão expressivos da frágil condição humana, quanto esse catarinense radicado em Brasília. E a linguagem é tão própria ao texto que quase desaparece. Isso demonstra o pleno domínio da arte.

Naquele tempo, quando se estava em Porto Alegre, Sartre e Simone de Beauvoir pontificavam. Discutia-se Heidegger e Camus era reverenciado. Kafka era descoberto e Kierkegaard estava presente. Não se esquecia Gabriel Marcel, Merleau-Ponty, Bergson. Da e na aldeia, Armando Câmara era o “primus inter pares”, Ernani Fiori destacava-se, Ernildo Stein surgia e Gerd Bornheim impunha respeito.

De Brasília veio o AI-5; de Woodstock veio “Paz e Amor”. Os cabelos cresceram, as roupas espalhafataram. O mundo ia mudando, mudava, mudou. Sempre, até hoje. Ainda hoje.

Toda a obra de Emanuel Medeiros Vieira acompanha o tempo, registra as mudanças, testemunha. Não registra como quem faz um inventário, toma nota, aponta. Não. Emanuel faz a leitura do tempo, do tempo em que está inserido. Faz essa leitura, lendo-se a si mesmo. Lendo-se a si mesmo, no que tem de essencial, lê-se como ser humano universal.

Oriundo das discussões existencialistas e partícipe dos movimentos estudantis, Emanuel Medeiros Vieira traz consigo a bagagem dos sonhos de mudança. O tempo passa, os sonhos voam, fica a angústia. É a vida.
Há quem aproxime Emanuel Medeiros Vieira dos grandes memorialistas da Literatura Universal. Tem fundamento, até concordo. Mas, cutuca-me uma pergunta:
- E Hemingway?
As histórias de Hemingway acompanham a história do próprio escritor. Hemingway escreve sobre seu tempo e seu mundo escrevendo sobre si, fazendo ficção. Em histórias curtas, quase reportagens, estilo objetivo. É a sua visão de mundo.
Hemingway era outro ícone.

As histórias de Emanuel Medeiros Vieira acompanham a trajetória de sua vida e refletem sua realidade. A realidade vista por dentro, por quem está dentro dela e a expõe. No que tem de essencial. E de humano. De humanamente essencial. Dentro da fugacidade do tempo.

Tempo que me trouxe saudades, levou-me à nostalgia. De supetão, só pela leitura do título: “Os Hippies Envelhecidos”. Depois, quando li o livro, aos poucos, e deixei as lembranças aflorarem, de vez, eu fui sabendo, devagar, eu soube, tomei conhecimento, acordei que o tempo, afinal, que o tempo não era tão passado assim.
Nós passamos. Ao meu redor, tudo era como sempre foi.
_____________________

Êxito ou fracasso
por que despedida?
Nada diz mais nada
Ao suicida.

Nelson Hoffmann, escritor brasileiro nascido no Rio Grande do Sul, na cidade de Roque Gonzales (1939). Advogado, Contabilista e, sobretudo, Professor. Romancista e contista, ensaísta e crítico, é autor de tem mais de três dezenas de livros publicados, destacando-se, entre os quais: A bofetada, 1978 (roman-ce); O homem e o bar, 1996 (romance); Onde Está Maria?, 1997 (romance); Quando a bola faz a história, 2000 (crônica histórica), Eu vivo só ternuras, 2002 (novela) e Este Mundo é Pequeno (crônicas).

É autor do dístico “Roque Gonzales – Terra e Sangue das Missões”, oficiali-zado por lei municipal.

Subir


Esta é uma Realidade Indigesta

Encontrei Ronaldo Cagiano, pela primeira vez, num conto. Estava com outros, era uma antologia. Não lembro qual antologia nem recordo qual o conto. Guardo para mim que nele apareceu uma referência a Kafka e por mim cruzou uma pequena luz: Júlio Cortázar?

Isso eu guardei, faz tempo. Aos poucos conheci Ronaldo Cagiano, com ele troquei correspondência, livros e idéias. Até hoje, continuo.

Ronaldo Cagiano é natural de Cataguases, MG, uma terra que tem história na Literatura Brasileira. Se por mais não fora, seria por sua legendária revista “Verde” e os autores que dela participaram. Hoje, Cagiano reside em Brasília, DF, onde cursou Direito, foi Assessor Jurídico na Presidência da República, Assessor de Gabinete no Senado Federal e exerce atividades na Caixa Econômica Federal. Mas, filho de Cataguases e bom filho que é, sempre que pode lá está ele, “revisitando Cataguases” e registrando: Atravesso a cidade// em nostálgico compasso// - liturgia da revisita -.

Articulista, contista, cronista, ensaísta e poeta, foi como poeta que Ronaldo Cagiano chamou a atenção. Dentre outros textos poéticos, é autor dos livros “Palavra Engajada”, “Palavracesa” e “Canção Dentro da Noite”. Este é seu mais recente livro de poesias e está na melhor frente da poesia mineira e brasileira. Dentro da linhagem drummondiana. Com seu lirismo pessoal e sua denúncia social, o poeta atinge o universal.

Despreocupado com a busca de novas formas poéticas, Cagiano desvenda a falta de horizontes da brasileira condição humana. A infância do poeta é passado, foi-se Nas águas do velho rio// que passa pela minha cidade... // Ah, ando à cata de quem sou (ou fui)...// - tudo passou!. A infância da gente de hoje é a história da miséria humana:// são os meninos de rua,// as meninas das esquinas...

Vem a indignação, a revolta do poeta. Estamos na denúncia social, que é dura, candente: Vejo, isto sim,// um saara social,// uma hiroshima urbana;// vejo um vietnã nas favelas,// uma sarajevo nas periferias// e mais do que a miséria// que envergonha,// a carne ardendo de explícitas// dores quotidianas// prega a homilia das injustiças// num ofertório de desesperos.
Precisa mais?

É a noite. Ao poeta cabe a canção: A canção,// a simples canção,// é uma luz dentro da noite, na epígrafe de Mário Quintana. É a “Canção Dentro da Noite” desse bom mineiro que é Ronaldo Cagiano.

Os artigos de Ronaldo Cagiano estão enfeixados, em parte, no volume “Prismas – Literatura e Outros Temas”. Em linguagem simples, objetiva e clara, qualquer tema é sempre tema para o articulista abordar e desenvolver. Com segurança, mas de seu enfoque pessoal. Observe-se isso, que o autor nunca deixa de ser o filho de Cataguases nem descuida de outros assuntos que brotam do interior deste nosso Brasil. Em especial, assuntos de Literatura, que Literatura é a vida de Ronaldo Cagiano.

Tanto isso é verdade que, em nossas correspondências, dele eu li um sem-número de vezes: “Tudo o que está fora da Literatura me aborrece”. A frase seria de Kafka, informou-me.

O fato é que Ronaldo Cagiano vive em função da Literatura e tem na Literatura o veículo da expressão de sua visão de mundo e de sua interação com esse mesmo mundo. Mundo que, por sinal, deixa a desejar.
Isto se torna meridiano em seu último livro, “Dezembro Indigesto”. Este é um livro de contos e nasceu premiado, premiado que foi pela “Bolsa Brasília de Produção Literária 2001”, da Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal.

Os contos de “Dezembro Indigesto” mostram um escritor seguro do seu ofício, com rumo definido. A linha básica do pensamento e do enfoque do poeta e articulista permanecem. No todo, continuam os traços que lembram as origens e vinculam à terra, salientam-se os detalhes claros e objetivos e fortalece-se a denúncia social. Sobretudo, escancara-se a revolta diante de uma realidade que escamoteia a realização do homem como ser humano. Tudo isso mostra a contínua evolução desse autor mineiro e confirma uma trajetória consciente em busca da realização.

Da leitura dos contos de Cagiano, vislumbram-se influências. Kafka é uma das mais salientes. Há outras, políticas, sociais, filosóficas: Camus, Sartre, Lispector... Cortázar? A ação inexiste em alguns relatos. Por vezes, dilui-se a divisa entre ficção e realidade. De qualquer forma, esta é sempre uma realidade indigesta.

Contato com o autor pelo e-mail: n.hoffmann@via-rs.net

Subir


Mais que um romance

Li, certa vez, em Otto Maria Carpeaux, uma afirmação de Thomas Mann: Hoje em dia, um romance precisa ser mais que um romance. Em seqüência, vinha a explicação do próprio Carpeaux: O romance do século XX tem de ser, ao mesmo tempo, romance, ensaio, tratado científico, também obra de história e reportagem. Pois esta foi a lembrança que me veio, há pouco, quando li “A espera do nunca mais”, de Nicodemos Sena.

Quem me apresentou Nicodemos Sena foi o poeta Aricy Curvello. Um dia, mandou-me este uma cópia do texto “O mar de nomes de A. Curvello”, de autoria de Nicodemos Sena e saído no jornal “O Estado do Tapajós”. Nele era eu citado e o nome do autor não me era estranho: trazia-me ressonâncias que eu não identificava. Não sabia de onde, perguntei. E o Aricy Curvello apresentou-nos.

Soube, então, que Nicodemos Sena nasceu em Santarém, Pará, na Amazônia brasileira. Grande leitor desde pequeno, foi estudar em São Paulo. Formou-se em Jornalismo pela PUC e em Direito pela USP. Residiu em São José dos Campos, SP, foi Diretor de Redação do jornal “A Província do Pará” e, hoje, vive em Caraguatatuba, no litoral paulista. É romancista, ensaísta, jornalista. Seu primeiro romance, “A espera do nunca mais”, de 1999, recebeu o “Prêmio Lima Barreto – Brasil 500 Anos”, outorgado pela UBE/RJ. Outro romance seu, “A noite é dos pássaros”, está pronto e em vias de lançamento. Colabora em jornais e revistas e, às quintas-feiras, assina coluna em “O Estado do Tapajós”.

Em nossa troca de informações e livros, do Nicodemos Sena e eu, aos poucos fui descobrindo que eu já tinha lido muito sobre ele, embora não lhe conhecesse a obra. Isto é, não lhe conhecia o único romance, esse “A espera do nunca mais”. Eu lera aplausos da crítica, vira até reproduções da capa, mas não conseguira o livro. Muito menos, lera. Daí, os ecos da memória.

Quando recebi o meu exemplar de “A espera do nunca mais – Uma Saga Amazônica”, autografado pelo autor, quedei-me embasbacado. Pesei, sopesei o volume, folheei. Voltei-me para as prateleiras de meus livros e fiquei a considerar “A pedra do reino”, de Ariano Suassuna. Logo, passei-me para “Os tambores de São Luís”, de Josué Montello, e vislumbrei “Gabriela, cravo e canela”, de Jorge Amado. Havia o “Viva o povo brasileiro”, de João Ubaldo Ribeiro. Alcancei o Érico Veríssimo, com o seu “Incidente em Antares” e descortinei o “Grande sertão: veredas”, de Guimarães Rosa. Até Plínio Salgado chegou-me aos olhos com o “Vida de Jesus”. Mas nenhum equiparava-se, em volume, ao “A espera do nunca mais”. De jeito nenhum!

Parecia-me um absurdo, isso. Hoje, em tempos de tanta pressa e tão pouco tempo, surgia-me um autor com um calhamaço desses?! Inacreditável! Para ser exato, 876 páginas, nesta segunda edição. Quem leria?

Eu li. E vou dizendo logo: foi uma das melhores coisas que eu li, nesses últimos anos. Há muitos anos, neste e deste Brasil. Com gosto e prazer, eu li. Do começo ao fim, da primeira à ultima linha. Mergulhado. E valeu a pena. Emergi com o sentimento gostoso da mais pura satisfação: eu tinha lido um grande romance.

“A espera do nunca mais” divide-se em três partes, cada parte beirando as trezentas páginas. O todo alcança quase cem capítulos. Tudo isso espanta e amedronta o leitor menos avisado. Mas, pode-se garantir, uma vez iniciada a leitura, não se pára mais. A leitura é um mergulho, eu já disse, e vai às raízes da gente brasileira, navega pelos meandros da vida nacional e está à tona em nossos dias que vivemos. Poucas obras vão tão longe, abrangem tanto, são tão completas. E tão romanescas e tão verdadeiras.

Basicamente, o cenário é a Amazônia e a história acontece dos anos 50 aos anos 70 do século XX. Mas aí não se fixa. Avança, recua, desvia, penetra, divaga, reflete, espairece, imagina, reflexiona, demonstra, narra e traça um painel completo da Amazônia, desde seus primórdios até a atualidade e sua agonia. Não é um romance histórico, mas a História está presente; não é um romance geográfico, mas a Geografia está presente; não é um romance folclórico, mas o Folclore está presente; não é um romance mítico, mas o Mito está presente; não é um romance religioso, mas a Religião está presente; não é um romance psicológico, mas a Psicologia está presente; não é um romance sociológico, mas a Sociologia está presente; não é um romance político, mas a Política está presente; não é um romance econômico, mas a Economia está presente; não é um romance ideológico, mas a Ideologia está presente.

Sonho, fantasia e realidade perpassam a história de ponta a ponta. Os personagens são humanos e fortes, a gente acompanha as peripécias de cada um e quer ver o desfecho. Gedeão, Julião e Dora são emblemáticos, junto com Estefano, o protótipo do conquistador branco. Destacam-se estes, sem diminuir os outros, que são muitos. Estes, porém, conduzem o fio da narrativa, sempre tenso, até o desenlace. Cabe à Dora, em final traumático, manter a chama acesa e assegurar que o sonho continua: Ela faria diferente; daria aos tapuios algo que ninguém ia poder tomar. Ensinaria as crianças tapuias a lerem e escreverem, (...), plantando, assim, na mente das crianças, a semente dos sonhos, para que elas, ao crescerem, não ficassem como seus pais: À ESPERA DO NUNCA MAIS.

Este final lembrou-me o final de outro livro famoso, o “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez. Com um detalhe, uma gratificação mais forte: a seta apontando o caminho. Utopia?

Isso depende de nós.

As veredas do romance de Nicodemos Sena são muitas. Justamente por isso, por serem quase infindas as veredas, é que surgiu-me com tanta insistência a lembrança da afirmação de Thomas Mann: Hoje em dia, um romance precisa ser mais que um romance.

O romance de Nicodemos Sena é bem mais que um romance: é a própria Amazônia. E é o Brasil e é o Mundo.
(Jornal Poiésis, nº 103, outubro-2004, Petrópolis, RJ)

*NELSON HOFFMANN é professor, escritor e crítico gaúcho; autor, entre outros, de “Onde está Maria?”

Subir


Mestre + amigo = parente?

Foi lá, na casa do meu filho Diego, em Campos Novos. Um dia desses. Chimarreávamos. Dentro de casa. Fora, sibilava um ventinho com fio de navalha. Por vezes, garoava. Parecia neve chegando.

Por desfastio, olhávamos velhas fotografias. E outras, nem tanto. Era mais um jeito de entreter conversa, de esperar que o tempo mudasse de cara. A friagem penetrava ossos e almas.

Atentei numa lembrança. Franzi a testa em concentração, fitei minha nora:

— Sinara, deixa ver de novo aquela foto.

— Qual?

— Aquela lá, dos noivos.

Ela passou-me a foto.

— Conhece? - perguntou.

— Não sei. Acho que sim, não sei - disse eu, coçando o queixo.

Ela olhou:

— É a tia Ana.

— Não, ela não. Ele - eu corrigi. E, pensativo: - Eu conheço esse cara.

— Ah! - a Sinara sorriu. - É o marido da tia Ana.

— Só pode - concordei, ironizando. - Pelo menos, parece que estão casando. O nome?

A Sinara ficou um pouco indecisa, titubeou:

— É... deixa ver, é... tio, tio... tio Sírio!

A lembrança estalou:

— Sírio!... Sírio Pos-sen-ti!

— Isso! Tio...

Conheci Sírio Possenti no fim dos anos 70, no Curso de Letras, em Ijuí. Foi meu professor de Lingüística e impressionou-me sempre pela clareza de exposição e segurança de conhecimentos. Sua tranqüilidade e fino senso de humor transformavam os intrincados meandros lingüísticos num prazeroso passeio. Os mistérios da língua viravam brincadeira. Ademais, Sírio Possenti talvez seja a pessoa de mais rápido e compreensivo entendimento que eu conheça. Explico: quando se questionava algo ou algo se explanava, Sírio, de imediato, percebia possibilidades e nuanças explícitas e implícitas, todas, numa instantânea visão global que, na maioria das vezes, o próprio falante sequer imaginava. Um Mestre.

Tornamo-nos amigos. Em 1978, Sírio, junto com o escritor Deonísio da Silva, veio a Roque Gonzales e proferiu palestra que foi um marco. Data de então o início do grande desenvolvimento cultural da cidade, transformando-a em “Capital Missioneira da Literatura”, da Cultura.

Depois, perdemo-nos de vista.

Agora, quando eu menos esperava, o Amigo Sírio envia-me dois livros do Mestre Sírio: “Por Que (Não) Ensinar Gramática na Escola” e “Os Humores da Língua”. Este traz um subtítulo explicativo: “Análises Lingüísticas de Piadas”. Os livros vieram da UNICAMP, São Paulo, onde Possenti leciona.

À primeira vista, para quem não conhece Sírio Possenti e sua clareza expositiva, pode parecer que os livros sejam chatos, difíceis, técnicos. Nada disso! A leitura é gostosa, saborosa. A gente se diverte. E aprende e descobre segredos. São livros que merecem, precisam ser lidos por qualquer pessoa que tenha um mínimo de contato com a palavra e suas formas de uso. E quem não tem?

Comentar os livros, analisá-los? Ah!, não. Essa, não! Abalançar-me ao Mestre?!

Ora, ora, sou amigo do Mestre...

— ... Sírio Possenti.

— Hã ? - fiz eu.
Era minha nora, a Sinara. Perguntei:

— O que foi?

— É o tio Sírio - ela repetiu. - Sírio Possenti, marido da tia Ana.

Ruminei: marido da Ana, que é tia da Sinara, que é esposa do Diego, que é filho da Alaíde, que é esposa... Mestre, Amigo...Parente?!

Pela vidraça da janela, vi um sol medroso espiar por entre nuvens. O tempo clareava.

Remirei a foto, apontei a cara do noivo e comentei:

— É ele, sim. Só que está sem barba; eu o conheci barbudo.
O sol sumiu de novo. Que tempo! O tempo...

Subir

  
 

Entre em contato