Gustavo Aragão

Este sergipano de 21 anos, acadêmico do Curso de Licenciatura em Letras Vernáculas, da Universidade Federal de Sergipe é o mais jovem escritor e poeta sergipano a ingressar no MAC/ASL (Movimento Cultural Antônio Garcia Filho da Academia Sergipana de Letras), onde ocupa a cadeira de Felte Bezerra (cadeira de nº 4). Já lançou cinco livros e ministra palestras em diversas faculdades em todo Estado de Sergipe.

Gustavo Aragão lançou mais um livro, agora de poemas contemporâneos, intitulado “A EFEMERIDADE DAS ROSAS DO TEMPO”.

Conheçam um pouco mais do seu trabalho:
www.infonet.com.br/gustavoaragao

GUSTAVO ARAGÃO LANÇA MAIS UM DOS SEUS LIVROS:
A EFEMERIDADE DAS ROSAS DO TEMPO

Leia o prefácio desse livro de poemas:

“O artista sofre uma influencia direta do meio e da época em que vive, no feitio da sua arte. A função do poeta é exatamente esta: captar a realidade e levá-la aos leitores, impregnada com a sua interpretação pessoal dos fatos que vão se mostrando nas avenidas da vida  cotidiana, e são apreendida pela sensibilidade do interprete.

Nascido em 1983, Gustavo atravessou a infância, a adolescência, acompanhando o mundo atônito, presenciando alterações e mudanças profundas, sendo testemunha de avanços tecnológicos e científicos, que evoluem em velocidade supersônica. A ordem econômica mundial fala num retorno do velho “Liberalismo” com o simpático nome de “Neo-liberal” mas de efeito negativo e desastroso, prejudicando o desenvolvimento das políticas e ações sociais nos paises pobres, e nos chamados emergente, que são obrigados a vestir as camisas de força da “Globalização”. O computador e a informática são recursos naturalmente incorporados ao cotidiano dos cidadãos de todas as idades e a internete os leva a se comunicarem, sem sentir o calor da presença,  vivendo um “Mundo Virtual:” Delet voce / Insert modernidade / ...Contato físico pra quê? / Se se tem as teclas, o monitor, a tela.../ sempre a nossa espera.  E o poeta também mostra, com certo humor, o homem cada vez mais dependente, cada vez mais escravo e subserviente ao mundo da tecnologia como registra em: “Fibra Ótica” A humanidade por um fio, / O fio que interliga toda a humanidade; / Onde ela se encontra e cabe. /Fio-Terra;Terra de guerra / de fome e cio / de bio e brio, situado / Num fundo de poço senil / e encerra.... De uma humanidade dúctil / que se encontra desencontrada / Num misto de fios.

As guerras, que já são muitas e variadas, vão, a cada dia, sendo mais desumanas e cruéis; um simples botão pode ter o poder de destruir, em segundos, milhares de vida. A conquista da lua pelos astronautas já é um fato velho e a bomba atômica que destruiu Hiroshima e Nagasaki se tornou uma sucata, comparado-a ao poder de destruição das novas armas e a precisão na sua utilização. O desemprego uma realidade, a violência uma conseqüência inevitável; o homem sendo cada vez mais avaliado por índices e por números e o pais vitorioso é o que exibe avaliações econômicas condizentes com os padrões neo-liberais sem dar importância a avaliações que reflitam o bem estar, a realização e a felicidade do ser humano. Atualmente a sociedade vive para servir à economia, quando o verdadeiro sentido é a economia realizar o bem estar da comunidade e dos seus membros.

È nesse universo de transformações céleres e profundas, que vai deixando cicatrizes no dorso de nações mais pobres, ferindo de morte o desenvolvimento social dos emergentes e jogando o ser humano, num oceano de dúvidas, de medo, de angustias, de inquietações, e de indagações sem respostas, sobre a verdadeira condição do homem. É nessa realidade onde o valor da frieza dos números suplanta os valores das atitudes solidárias, éticas e morais.e, é nesse neste “Mundo” que o poeta mostra seu espanto: neste mundo arenoso e vário; / Indiferente, Inconstante, / Incomensurável, Incontestável, / Incognoscível e multifário / Homens perdem-se, num instante, /  de flores, / e reprime-se num mar de muros infindos. / Suas asas de pegasus são podadas pelas cinzas das horas e, / pela ira das Eras que os compõem. / Tornam-se alvos certeiros. / E vivem enjaulados / Com imensas correntes presas aos pés, / que os fixam num chão de mazelas semeadas, / de amores fecundos, adormecidos. / Mundo matemático, / De loucos, / Incompreensível.

E nesse mar de desassossego que Gustavo vai colher todo o material para a construção da sua arte, que aparece ora como um grito de revolta, outras com um grito de alerta e outros com a sensação de um grito impotente, mas que o poeta não o contem. Sua alma força, seu coração pede, sua mente ordena: grite, grite que seus gritos um dia serão gritos libertos dos grilhões, perseguindo todos os ouvidos, grite porque ficar em silencio nos fere mais do que gritar, ainda que seja um “Grito Carcerário”; e o poeta obediente grita – Podes querer calar o meu canto / Abafar o meu pranto, / Mas não podes sufocar o meu grito, / que ressoa no infinito / da minha “mudez” ; / incômoda. / Sou concha onde ronca / o mar das bravas ondas. / Que persiste no quebrantar das imensas pedras, / Que o coibi / Sou impelido / A ser um silêncio falso / Uma flor passiva do holocausto / No íntimo de um corpo sovado  / De agruras e tempos fingidos. /  Mas que com seus importunos e surdos clamores / Torna-se por “poucos” ouvido. Esta poesia pela força e originalidade das imagens, pela mensagem que transmite, mereceu o 1º lugar geral no concurso interno de poesias da Arcádia Literária Estudantil, em 2004. Aliás, também em 2003, conquistou o 1º lugar no mesmo concurso com o poema “Casa” E ele assim começa: A minha casa já não é mais a mesma / as janelas já não falam mais / As portas ( matérias mortas ) que viviam / agora se apresentam mais mortas do que nunca. E assim encerra:  E o que restou? / Nada. Só fósseis da casa. / A casa de cada um de nós.

A sensibilidade do poeta se mostra também para captar o drama pessoal de uma mulher negra, no poema “Vida Sobrecutânea”, ai vai revelar a amargura de uma mulher determinada, como o próprio autor esclarece em texto que precede a poesia, uma das poucas que revela uma situação individual, mas que bem pode ser considerada um retrato das muitas sofredoras, carregando no coração o mesmo grito silencioso: No seu olhar taciturno / cabia a sua realidade / em sua pele áspera e negra / cabia sua esperança /.........Num rosto cadavérico / encontravam-se todas as ignorâncias /...Seu corpo silente gritava / Sua vida-morte se fazia majestosa / ....E assim gritava / num grito silencioso / Quase imperceptível / Aos olhos da alma.

Desde a semana de arte moderna – 1922 - que introduziu novos conceitos, novas visões e novas formas do fazer poético, que valoriza mais as imagens e metáforas do que a obediência formal, se por um lado libertou o artista da prisão da métrica, da rima e das formalidades impostas pelas diversas escolas e movimentos literários, por outro criou um território poético indefinido e tão extenso que, as vezes, se tem dificuldades de delimitá-lo e até mesmo de classificar o que é poesia, apenas um pensamento, uma simples narrativa, ou talvez... coisa nenhuma. A EFEMERIDADE DAS ROSAS NO TEMPO é uma obra genuinamente poética e exibe desenhadas  nas suas paginas poesias  da melhor qualidade e está inserida, com toda certeza, no território definido e delimitado dos que sabem trabalhar com as imagens poéticas e as metáforas.

A EFEMERIDADE DAS ROSAS NO TEMPO é uma obra genuinamente poética e exibe desenhadas  nas suas paginas poesias  da melhor qualidade e está inserida, com toda certeza, no território definido e delimitado dos que sabem trabalhar com as imagens poéticas e as metáforas.

A arte de Gustavo exibida na vitrine do seu livro é bem delineada e o alvo bem visível. Atira flechas certeiras contra as incoerências dos homens, ataca a insensatez, o egoísmo o individualismo, o descaso social, os efeitos nocivos da “Globalização” e o faz com uma linguagem firme, forte e decidida acompanhada por um ritmo vibrante alertando, sem medos nem receios, as conseqüências desde proceder, para a humanidade. Trabalha construindo versos que revela, com muita clareza, a sua intenção interior, traduzindo com uma verdadeira e inconteste expressão poética, toda a realidade, o espanto e a angustia dos jovens de hoje; pode-se afirmar, sem receios, que a obra poética de Gustavo Aragão: A EFEMERIDADE DAS ROSAS DO TEMPO representa o grito e o desabafo de toda uma geração.”  Estácio Bahia Guimarães – Membro da ASL – Cadeira nº 29

O lançamento do livro “A EFEMERIDADE DAS ROSAS DO TEMPO” (R$ 15,00) foi realizado no dia 12 de setembro de 2005, às 18h, na Sala dos Fundadores da Academia Sergipana de Letras. No decorrer do lançamento a cantora Suzana Walois encantou a todos os presentes com a sua bela música.

TEXTOS:

Astuto poema
Na mágica plantada em tuas palavras,
(Coisa comum!), revestida de véus por nevoeiros,
Faz brotar em mim um sem número de ilusões,
A partir das mil e uma máscaras que assume, o astuto poema.
Revelas-te me, pouco a pouco, em instantes suados e silentes,
A única face, que a ti pertence.
(Gustavo Aragão Cardoso)

Introspectivo 

À minha amiga-irmã Nina Sampaio

Só,
perco-me em meio a palavras desencontradas.
e, ainda,
só,
encontro-me com os ritmos íntimos
das idéias suscitadas
na poesia,
que se revela em folha
silente e inerte.
Enluarada.
(Gustavo Aragão Cardoso) 

Rosa do Tempo 
 
Presa por entre muros inibidores
Está a rosa dos tempos
de pensamentos passivos
das asas frágeis,
que brotam em chamas novas e ardentes.

Convulsa contorce-se,
num esteio de instantes incertos,
querendo renascer feito fênix
de tempos pretéritos
amalgamados e caldeados
com horas presentes.

E é na imediatez destas horas aflitas e estranhas,
Que a efêmera rosa se desfolha
e paira em pedaços solitários,
num ar novo, repleto de luz tênue e espanto,
revelando-se imagem de humano-encanto.

(Gustavo Aragão Cardoso) 

Conto-retalho 

No umbral do Tempo


Aracaju City: Região metropolitana.

Eram quase 19 horas, quando um homem de plástico, magro, porém pensativo, que segurava uma garrafa quadrada de um especialíssimo vinho tinto, produzido com os melhores frutos da safra vinhal européia do século XVIII, e uma taça abaulada da marca Contemporânea nas mãos, sentou-se serenamente no umbral de um pontilhão; despejou um pouco de vinho tinto na taça e bebeu-o com volúpia, fechando os olhos para degustá-lo melhor. Ao abrir os olhos, agora meio turvos, avistou assombrado no céu, já escuro, o nascer da ciber-lua e o brilho das inúmeras estrelas que rutilavam, e sopravam, com seu brilho contagiante, as trevas que devoravam seus pensamentos incautos. De súbito, um anjo virtual resvalou sobre seus ombros descobertos, sem que ele sequer sentisse o toque, e disse soprando docemente no seu ouvido:
- Não tenhas medo da noite, que vislumbras. Talvez ela seja um amor-espanto, ou até mesmo, um canto estrídulo dos pássaros mensageiros, que anunciam novas primaveras.
Logo depois, o anjo expirou e o homem, agora mais sereno que antes, continuou assistindo sentado ao belo espetáculo, que era apresentado à sua frente. Respirou fundo, expirou angústias, tomou mais um gole do vinho e se pôs a assobiar calmamente à luz do luar, sentindo os novos ventos, que sopravam fortes, afagando sua pele macia, reciclando suas emoções, seus intentos.
Gustavo Aragão Cardoso
 

Poesia Encenada 
Na caixa cênica das palavras ensaiadas,
A poesia estréia,
Sob holofotes de luzes frias,
Trajando pantomimas várias e vivas,
Maquilada de criatividade.
E em procênio encena
Experiências em pele emprestada.
Grita e se faz sentida
Pelos seus exímios espectadores.
(Gustavo Aragão Cardoso)
 

O riscar da vida

De quando em quando
a vida ameaça tornar-se
versos ensimesmados,
suscitando devaneios e
amores enluarados,
congelando palavras
em momentos solares.
(Gustavo Aragão Cardoso)

 
 

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