Fuvest teme ida à Justiça contra bônus social

21/08/06

 

Durante as discussões para a implementação do bônus a estudantes da escola pública, a Fuvest alertou a reitoria da USP para o perigo de a medida causar contestações judiciais. Mesmo assim, o projeto foi aprovado e vale já para o próximo processo seletivo.

A Fuvest é a fundação que organiza o vestibular da universidade e é vinculada à reitoria. O problema apontado pela fundação é que, pela primeira vez desde a criação do exame, em 1977, os candidatos não serão mais tratados de forma igualitária na prova --quem estudou em escola pública terá um acréscimo de 3% na nota da primeira e da segunda fase.

No entendimento da Fuvest, um candidato que fez o ensino médio em escola particular e ficou fora da lista de aprovados poderá se sentir discriminado e contestar o vestibular.

"Era nosso dever alertar a reitoria", disse à Folha Roberto Costa, um dos coordenadores do exame, que falou ontem sobre as mudanças na prova em um congresso de educação, promovido pelo sistema COC de Ensino. "Mas não houve atrito com a reitoria. Nosso papel é executar o que o reitor pede. É claro que eles já conheciam esse risco."

Apesar da possibilidade de contestação, Costa diz não acreditar que isso possa causar problemas graves. "O aluno que se inscreveu no exame aceitou as regras da prova."

Na Unicamp, que concede pontos a alunos de escola pública desde 2004, não houve contestação até agora, afirma o coordenador-executivo do vestibular, Leandro Tessler.

A pró-reitora de graduação da USP, Selma Garrido Pimenta, foi procurada pela reportagem, mas não retornou até a noite de ontem.

Eleição

A inclusão de alunos da rede pública na USP foi a principal bandeira de campanha da atual reitora, Suely Vilela, eleita no ano passado. Ela pretende diminuir a desigualdade entre o número de alunos no ensino médio público (85%) e a quantidade desses estudantes que conseguem ingressar na USP (cerca de 25%).

O bônus de 3% foi a ação mais visível de um pacote lançado em maio pela reitora para diminuir a disparidade. Segundo simulações da instituição, o número de aprovados da rede pública deverá ser elevado para 30%. Outras mudanças foram a diminuição no número de perguntas na primeira fase (de cem para 90) e a reserva de nove questões de formulação interdisciplinar (que envolve mais de uma disciplina).

O programa foi aprovado pelo Conselho Universitário (órgão máximo da instituição), com 79 votos a favor, dois contra e seis abstenções. Mas as mudanças causaram polêmica. Quase cem docentes, incluindo nomes como Henrique Fleming e Eunice Ribeiro Durhan, assinaram um texto em que criticavam a "falta de definição clara das regras do vestibular".

  

  

 

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