Debate reúne propostas para novo modelo de universidade

05/04/06

   

 

Na semana passada, em Brasília, foi realizado o "Seminário Nacional Universidade Nova: Anísio Teixeira e a Universidade do Século 21", no qual foram apresentadas e debatidas algumas propostas e diretrizes para a construção de um novo modelo de educação superior no país.

Segundo dados do CNE (Conselho Nacional de Educação), cerca de 40% das pessoas que se formam em cursos de nível superior no Brasil não atuam profissionalmente na área escolhida. Ou seja, terminam o curso e, com o diploma em mãos, partem para outra profissão. Essa realidade, na avaliação de especialistas em educação e reitores de universidades federais envolvidos com o debate da Universidade Nova, ocorre porque o jovem é obrigado a escolher sua profissão muito cedo e sem conhecimento do mercado de trabalho.

Proposta

No projeto chamado de Universidade Nova, a formação superior inicial passaria a ter três anos e seria dividida em três módulos: o curso-tronco, em que seriam estudadas as disciplinas de português e línguas estrangeiras; a formação geral, no qual os alunos teriam aulas de cultura humanística, artística e científica; e, por último, a formação específica, em que o acadêmico escolheria disciplinas mais próximas às suas vocações.

Após os três anos, o aluno receberia o diploma de bacharel interdisciplinar. Esse profissional teria o curso de nível superior e poderia seguir no mercado de trabalho e prestar concurso público, por exemplo. Além disso, o estudante poderia optar por continuar os estudos fazendo uma pós-graduação em uma profissão específica, como advogado ou médico.

Algumas universidade já adotaram o novo modelo de ensino superior. É caso da Universidade Federal do ABC, em São Paulo, que oferece a formação em bacharelado interdisciplinar em ciência e tecnologia. Outras 17 universidade federais estão avaliando a proposta e três delas estão colocando a idéia em prática, como a Federal do Piauí, a Universidade de Brasília e a Universidade Federal da Bahia.

Opiniões
Segundo o reitor da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Naomar Monteiro Filho, o projeto consiste em as universidades perderem o caráter de escola profissional e assumirem o de instituição da cultura. De forma prática, a proposta prevê, principalmente, mudanças na forma de ingresso às universidades e na grade curricular dos cursos.

Para o reitor da UnB (Universidade de Brasília), Timothy Milholland, com o modelo da Universidade Nova os alunos teriam, aos poucos, mais informações para a escolha da carreira que querem seguir.

Segundo Milholland, essa será a tendência para os próximos anos. "O século 21 não será das profissões, mas sim do conhecimento. E é isso que temos que oferecer aos jovens".

Com informações da Agência Brasil

  

  

 

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