Cláudio Nunes lança ‘Liberdade da Expressão’

07/12/06

 

Com a intenção de registrar fatos da história do período eleitoral de Sergipe que não foram publicados na imprensa local, o colunista do Portal Infonet Cláudio Nunes lança hoje, 6, o livro ‘Liberdade da Expressão’ (R$20). O evento acontece às 18h30 na Sociedade Semear, localizada na rua Vila Cristina, 148. Aqui, o autor fala do seu primeiro livro e conta como o projeto virou realidade.

Portal Infonet – Pelo que sei você sempre atuou em política. Por quais jornais passou?
Cláudio Nunes – É verdade, desde que me formei atuei na área de política. Iniciei com editoração da página, depois em coluna política, escrevi para Bastidores do antigo Jornal da Manhã, tive outra no Diário de Aracaju, ambas diárias. Logo depois, tive uma coluna aos domingos na Gazeta de Sergipe e por último uma diária no Jornal do Dia. Atualmente, escrevo diariamente para a Infonet, onde o foco da coluna é política, apesar de sempre procurar outros assuntos relevantes para diversificar.

Infonet- Você começou a escrever aqui dia 15 de maio deste ano. Qual publicação teve maior repercussão até agora?
CN - A repercussão foi surpreendente. Eu vim escrever na Infonet a convite do seu editor, o jornalista Ivan Valença, depois de uma demissão intempestiva. Comecei a coluna timidamente, mas ela foi crescendo rápido. E chegou a um ponto na campanha eleitoral que eu respondia cerca de 50 e-mails diários. Este público se sedimentou e em geral eu respondo cerca de 20 e-mails diariamente.

Infonet - Os comentários dos seus leitores chegam de todo o país?
CN - Sim, nós temos leitores sergipanos que moram em Santos, dois nos EUA, Brasília e Argentina que acompanham quase diariamente a coluna. Sem falar no interior do Estado que também foi grande a aceitação. O público maior é a faixa entre de 20 a 30 anos. Um publico jovem, aquele internauta que em geral não lê jornal e está plugado.

Infonet - Você costuma responder a todos os e-mails de seus leitores?
CN - Todos. Um dado interessante é que na campanha eleitoral havia e-mails de pessoas contrariadas, mas eu respondia a todos educadamente. E muitos até se tornaram meus leitores e compreendem que a coluna acabou se tornando uma ‘válvula de escape’ para diversas denúncias, já que outros meios de comunicação não estavam publicando. E parecia que estava tomando uma certa tendência, mas na verdade não é isso, mas sim porque outras mídias não publicam.

Infonet - Sentiu muita diferença em escrever para internet, já que você veio de uma grande experiência em jornais impressos?
CN- Quando cheguei a conversar com Ivan eu sabia que teria que enxugar os textos e assim fiz. Mas o mais interessante é este retorno que temos na internet, o que não acontece no jornal. No meio de comunicação impresso, mesmo colocando à disposição do leitor seu e-mail, raramente ele responde. Já na Infonet, acredito que pelo leitor já estar lendo a coluna em frente ao computador facilita responder. E este retorno aumenta até a minha responsabilidade. E eu digo que este livro não é nem meu, mas nosso, porque o número de notas que tem nele que me foram enviadas pelos leitores é grande.

Infonet - Qual o texto publicado no livro que teve maior repercussão quando publicado no Portal Infonet?
CN- Foram dois relacionados diretamente a pesquisas eleitorais. As pesquisas foram os temas que manifestaram um sentimento de maior repugnância por parte dos leitores. São internautas de diversas faixas etárias e formação que repudiaram diversas pesquisas publicadas na imprensa. Teve um artigo chamado ‘Bucha de canhão’ que teve bastante repercussão e onde nós fizemos até uma análise de números.

Infonet - Quando surgiu a idéia do livro?
CN - Por volta de agosto alguns leitores começaram a sinalizar que havia necessidade de deixar marcado na história esta parte do período eleitoral que não tinha sido retratada na imprensa de Sergipe. Já que a internet é algo que fica lá, mas ainda não chega a todos os públicos e nem é algo palpável para ficar em bibliotecas, entendi a necessidade do livro. Nele, tem vários fatos analisados que infelizmente não foram debatidos na imprensa sergipana, a exemplo do caso da Deso, pesquisas eleitorais e também envolvendo a própria imprensa. Um empresário amigo nosso que não quis divulgar o patrocínio, por causa da sua empresa, resolveu ajudar e assim conseguimos publicá-lo. Tivemos também a colaboração da JAndrade, da Infonet e do publicitário que criou a capa do livro, Marcélio Couto.

Infonet - Quem escolheu as melhores colunas para a publicação no livro?
CN - Eu escolhi com base nas repercussões junto aos leitores. Desses 26 artigos, pegamos 15 e pedi para Edidelson Souza para fazer charges para que o livro ficasse mais suave. O prefácio é de Luiz Eduardo e Ivan Valença fez a orelha, nascendo assim 'A liberdade da Expressão'. Este trocadilho da sílaba ‘da’ e ‘de’ no título foi proposital. A idéia era levantar o questionamento do leitor e levá-lo a analisar este lado da imprensa. A capa é um cadeado semi-aberto que retrata o que aconteceu no período das eleições no nosso Estado. Eu acho que deveria se aproveitar para se fazer um questionamento e uma análise da mídia em Sergipe e no Brasil. Hoje, vários jornalistas e meios de comunicação estão pedindo para que haja este questionamento e uma análise mais profunda sobre o papel na mídia e devemos aproveitar para fazer aqui também, porque sabemos que existem jornais que são de políticos mas que nunca tiveram tanto atrelamento ao governo estadual por conta de verbas publicitárias.

Infonet – Um livro sempre gera críticas. Você tem receio?
CN - As críticas virão. Mas a vantagem aqui é que as principais já ocorreram. O livro não tem objetivo de ser melhor do que outro qualquer. Ele conta fatos e tem uma análise pessoal do que ocorreu durante a campanha eleitoral 2006 em Sergipe. A idéia de só colocar o período eleitoral foi para registrá-lo, mas a tendência é aprimorar e todo ano ter um livro com os melhores artigos. A parceria com a Infonet está aumentando e a tendência é que o número de leitores também cresça.

Infonet - Então você pensar em escrever outros livros?
CN- Ainda é cedo para falar nisso, mas eu acredito que o mais difícil é o primeiro.

Infonet - Sei que você não pode revelar suas fontes, mas num geral onde você consegue seus furos de reportagens?
CN - Na campanha eleitoral alguns leitores começaram a enviar denúncias solicitando que eu não revelasse seus nomes (a fonte). Muitas delas ligadas a prefeitura e ao governo do Estado. E por sempre preservar as fontes eu hoje tenho contatos em diversos órgãos públicos e vários seguimentos da sociedade. Claro que antes de publicá-las eu checo a notícia antes.

Infonet – Você recebe críticas dizendo que você é petista. Qual é sua ideologia política? Você defende ou é filiado a algum partido?
CN - O único partido que fui filiado e militante foi o PCB em 1985 quando era estudante. Não este PCB de hoje, mas aquele que se transformou no PPS. Acho que ninguém sabe, mas fui presidente- fundador da União Metropolitana de Estudantes Secundaristas de Aracaju que completou 21 anos agora. E hoje não sou mais filiado. Atualmente voto não por ideologia, mas pelo homem, pela sua capacidade. Está comprovado no Brasil que os partidos são todos iguais e por isso que eu defendo uma reforma política e o financiamento público de campanha. E digo aos leitores que as críticas eles irão sentir a partir de janeiro. Vai mudar o governo, os nomes, mas a coluna não irá mudar. Alguns meios de comunicação já mudaram antes mesmo do governador eleito assumir, mas a coluna não. O leitor pode cobrar.

Infonet - Como você vê a imparcialidade do jornalismo sergipano?
CN - Esta palavra é muito complicada, porque a partir do momento que o ser humano vota e tem que escolher um candidato já demonstra a imparcialidade. Mas acredito que você pode chegar a um ponto de não omitir a verdade ao leitor. Acredito que a coluna cumpriu seu papel neste período eleitoral, o que vários colegas poderiam ter feito. E não é porque eu fiz não. A imprensa de Sergipe tem nomes que podem trabalhar em qualquer lugar do Brasil, mas por culpa do local onde trabalham ficaram ‘amordaçados’. O que aconteceu é que eu estava no local certo na hora certa, porque tive liberdade para escrever, de colocar as denúncias e de não ter ‘nenhuma perseguição’. Entre aspas, porque não tive perseguição na Infonet, mas sofri bastantes pressões particulares. Mas, vou mostrar que não tenho atrelamento ao PT quando iniciar o próximo governo.

  

  

 

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