Aprovação de aluno de escola pública cresceu na Fuvest 2007

02/03/06

 

O Inclusp, programa de inclusão social da Fuvest que deu um bônus na nota de vestibulandos egressos de escola pública, pode ter colaborado com um aumento de 8,7% na fatia de aprovados deste grupo em 2007, comparada com os cinco exames anteriores (2002 a 2006).

Neste ano, 2.712 vestibulandos que fizeram todo o ensino médio em escola pública (municipal, estadual ou federal) passaram no maior vestibular do país, que proporciona o ingresso à USP (Universidade de São Paulo). Este número corresponde a 23,7% do total de aprovados -- foram 11.502, considerando os classificados para a USP e para a Academia de Policia Militar do Barro Branco, além dos treineiros.
Na comparação entre os últimos seis vestibulares, o de 2007 teve uma ampliação de 1,9 ponto na porcentagem de aprovados da escola pública em relação à média dos cinco exames anteriores, todos eles sem bônus (23,7% contra 21,8%). Trata-se de um aumento de 8,7%.

Já o ganho considerando-se a média geral dos exames de 2002 a 2007 foi de 1,58 ponto (23,7% contra 22,11%). Isso corresponde a um aumento de 7,14% na fatia percentual de aprovados de escola pública.

É importante notar que, em termos estatísticos, só se poderá afirmar que o Inclusp "funcionou" quando houver uma amostra maior -- vale dizer, mais vestibulares da Fuvest com o bônus (que neste ano aumentou a nota dos beneficiados em 3%). Mas essas contas já podem sinalizar um primeiro efeito da medida.

Ano a ano
Em 2006, sem bônus, os aprovados egressos de escola pública foram 21,2% do total (2.403).

Em 2005, foram 22,8% de aprovados com esse histórico (2.532). Já em 2004, o número ficou em 21,5% (2.162); em 2003, 22,5% (2.222); e em 2002, em 21% (1.988).

Estes números, mais os de inscritos e de chamados à segunda fase em cada um dos anos entre 2002 e 2007, mostram uma certa estabilidade -- abalada apenas no exame deste ano.

A quantidade de candidatos oriundos de escola pública que prestaram Fuvest neste período variou mais em 2002, 2005 e 2006, quando ficou em 34,7%, 39,7% e 42,8% do total, respectivamente.

Nos demais anos, foi praticamente a mesma: 36% em 2003, 35,9% em 2004 e também 35,9% em 2007.

Os chamados à segunda fase com ensino médio em estabelecimento público foram 23,1% em 2002, 25% em 2003, 24,3% em 2004, 25,6% em 2005, 23,5% em 2006 e 27,6% neste ano.

Esse salto de 2 pontos percentuais em 2007 em relação à maior marca anterior no período (a de 2005) também pode indicar o efeito do bônus na nota. Nesta comparação, o crescimento foi de 7,8%.

Os dados estatísticos da Fuvest são obtidos por meio de questionários socioeconômicos, disponibilizados pela instituição na inscrição para o exame. Mais de 99% dos candidatos respondem às questões a cada ano.

Análise

Para o professor Renato Pedrosa, do Instituto de Matemática da Universidade Estadual de Campinas e coordenador adjunto da Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp), os números podem, de fato, sinalizar efeitos positivos da bonificação -- mas há ressalvas a fazer.

"Como foi utilizada a média dos últimos anos, os números indicam o impacto do programa, mas são necessários mais alguns anos para estabelecer uma tendência. Mas note que isso vai depender fortemente de como vai evoluir a participação de candidatos da rede pública nas inscrições", afirmou.

Pedrosa disse que é necessário analisar a relação do número de aprovados sobre o número de inscritos vindos da rede pública. "O ideal, que indicaria uma situação de equilíbrio, é que não houvesse variação: por exemplo, se 35% dos inscritos são da rede pública, 35% dos aprovados também devem ser. Mas isso ainda não acontece, apesar do crescimento apresentado neste ano."

O professor lembrou que, na Unicamp, a bonificação é dada não só para alunos da escola pública mas também aos que se autodeclaram afro-descendentes. "O impacto na Unicamp tem sido muito positivo, pois temos mais de 30% de matriculados nos últimos vestibulares que vieram da rede pública", comentou.

A Fuvest foi questionada sobre os números, mas ainda não entrou em contato com a reportagem do UOL Educação.

  

  

 

Entre em contato